MIÍASE DE CAVIDAD ORAL

Dr. Feijão Júnior

Especialista em Cirurgia Traumatologia BucoMaxiloFacial, pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Cirurgião BucoMaxiloFacial do Hospital Walfredo Gurgel e Hospital Deoclésio em Parnamirim/RN.

EQUIPE:

Dr.Feijão Jr.( Cirurgião Bucomaxilofacial que realizou todo procedimentos cirúrgicos de remoção das larvas e cuidados pós-operatório por 15 dias)
Dr. Edmilson Médico Clinico ( Acompanhou o paciente que teve complicações sistêmicas e pulmonares devido Alzheimer e Parkinson)
Enfermeira- Cristina Baracho (responsável pelo setor de internamento do H.D.M.L )
O que é Miíase? É uma infestação por larvas de várias espécies de moscas, os quais introduzem os seus ovos e se desenvolvem com larvas,que invadem os tecidos vivos infestando tanto os animais  quanto aos homens. Cochliomya Homonivorax conhecida popularmente como mosca Varejeira é a espécie mais importante causadora de Miíase primária ou larvas biontófogas.

RELATO DE  MIÍASE NO H.D.L.M  Paciente J.B.M,com 84 anos de idade, sexo masculino portador de enfermidades tais como ALZHEIMER e MAL DE PARKINSON, deu entrado no H.D.M.L em Parnamirim/RN, no dia 15 de agosto de 2011, às 20:00h, com afecção na cavidade oral  na região anterior, posterior e sublingual de mandíbula por MIÍASE, há vários  dias com grande infestação de larvas em cavidade oral.

DIAGNÓSTICO Apresenta Um quadro clínico  pela presença de larvas esbranquiçadas em geral, bastante agitadas e quando são muitas estão agrupadas. Observamos lesões com ulcerações, exsudação sanguinolenta ou purulenta, necrose tecidual e às vezes com envolvimento ósseo. Um fator que facilita o quadro clínico é a grande movimentação das larvas, que saem da cavidade  para respirar.
O quadro Clínico caracteriza pela presença de dor, desconforto e odor forte.

TRATAMENTO

Dr.FeijãoJr. (Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial)

Tratamento de um paciente gênero masculino com 84 anos de idade,que havia permanecido dois dias no hospital para  atendimento de urgência. O paciente queixava-se de dor aguda na gengiva, e odor fétido, ao exame clínico mostrou-se uma inflamação com área de necrose gengival anterior e posterior de mandíbula, e por lingual a mesma ocorrência com gengiva inflamada, necrosada e desinserida.

No local podia observar a movimentação das larvas em grandes quantidades nos tecidos localizada Procedimento cirúrgico realizado no H.D.L.M no dia 15 de agosto de 2011, sob anestesia local com catação e remoção de 150 larvas em cavidade oral, região mentoniana, corpo de mandíbula e região lingual com secreção aquosa(exsudado), tecido necrosado em região sublingual e fundo de saco mentoniana e corpo de mandíbula.  A retirada das larvas foi feitas com pinça, remoção de todo tecido necrosado e debridamento para remover aquelas alojadas mais profundamente. em seguida lavagem com SF 09% e anti-sepsia com clorexidine a 0,12% e sutura com pontos isolados, somente para reparos.
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PRESCRIÇÃO: IVERMECTINA cada comprimidos de 06mg, dosagem inicial de 02 comprimidos (12mg) oral; após 48h ausência de larvas e cuidados com higiene oral sempre feita com solução de clorexine a 0,12%. Foi repetida a ivermectina após sete dias pelo Dr. Edmilson Clínico e Dr. FEIJÃO (Cirurgião e Traumatologista Bucomaxilofacial) plantonista daquele Hospital. Paciente com  estado geral regular ao exame clínico sem larvas, sem odor fétido, e com boa cicatrização tecidual .Pós operatório de 20 dias recebendo   alta hospitalar.Aos familiares foi orientado a tomar medidas de prevenção em relação a sua saúde bucal através de higienização, uso de anxaguatórios bucais a base de clorexidine por nove dias em cada mês, profilaxia com avaliação do Dentista uma vez por mês.
CONCLUSÃO- Pela apresentação do caso clínico, literatura pesquisada chegamos a concluir que:

  1. A miíase bucal é uma afecção rara em cavidade oral
  2. A má higiene oral, que leva a um quadro de gengivite, periodontite, com lesões e odor fétido, atua como atrativo para as moscas fertilizadas depositarem seus ovos.
  3. Diagnóstico é sempre clínico
  4. Tratamento recomendado é  remoção mecânica com pinça das larvas, seguidade de irrigação com bastante soro e clorexidine a 0,12%.
  5. Em paciente especiais o uso de anestesia por bloqueio é sempre recomendado, principalmente quando as larvas se encontram em profundidade tecidual, como seio maxilar e fossas nasais.

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